Você monta a introdução decidindo três coisas antes de escrever a primeira frase: o tema que vai contextualizar, a tese que vai defender e os dois argumentos que vai sinalizar. É esse plano que tira você da folha em branco, com um método que dá pra repetir em qualquer prova.

Como começar a introdução da redação?

A redação vale até 1000 pontos na sua nota do ENEM, e a introdução é onde o corretor decide o tom da leitura. Travar na primeira linha custa caro.

Aqui a gente resolve isso por partes: primeiro o que o parágrafo precisa ter, depois as técnicas de abertura já adaptadas a temas de saúde, o banco de repertórios pronto pra copiar e adaptar, as pontes entre uma parte e outra, o tamanho certo e os erros que derrubam a nota.

Não é conselho vago de "prenda a atenção do corretor". É o passo a passo pra montar a sua introdução do zero. Bora começar.

O que a introdução precisa ter?

A introdução tem três tarefas, e só três: contextualizar o tema, apresentar a sua tese e sinalizar os dois argumentos que você vai desenvolver. Essa contextualização conversa direto com a Competência 2 do ENEM, que cobra compreender a proposta e mobilizar repertório pertinente.

Na prática, cada uma das três é isto:

Contextualizar
Situar o tema num cenário maior: um dado, um período histórico, um debate atual.
Apresentar a tese
Dizer sem rodeio o seu posicionamento.
Sinalizar os argumentos
Adiantar os dois caminhos que os próximos parágrafos vão trilhar.

Se um desses três pés falta, a introdução manca, e o corretor sente já na primeira leitura. Guarda esses três, tá? Eles são a fundação de tudo que vem depois neste guia.

A introdução é o primeiro passo?

A introdução não é o primeiro passo, é o terceiro. Antes de escrever a primeira frase, a ordem é esta:

  1. Ler a proposta inteira
    Textos motivadores e comando, sem pular nada.
  2. Decidir a sua tese
    Qual posicionamento você vai defender.
  3. Montar o esqueleto dos dois argumentos
    Os caminhos que a introdução vai sinalizar.
  4. Escrever a introdução
    Agora sim, com o plano na mão.

Quem pula essas etapas é quem trava na folha em branco ou acaba copiando a frase da proposta, e copiar a proposta não conta como texto seu.

É a régua da casa aqui: estudar certo, não estudar muito. Planejar cinco minutos economiza os quarenta que você perderia reescrevendo. Fechou a tese? Aí a introdução sai quase sozinha, porque você já sabe onde quer chegar. Primeiro o plano, depois a caneta.

Quais são as técnicas de abertura?

Existem seis técnicas de abertura que resolvem quase qualquer tema: alusão ou resgate histórico, citação, dados estatísticos, questionamento, comparação e definição.

Pra você comparar de verdade, a gente abre o mesmo tema com todas elas, assim dá pra sentir qual encaixa melhor em cada proposta, em vez de decorar uma só. E cada técnica vem com o alerta que evita a cilada: no resgate histórico, não gaste mais de três ou quatro linhas; na citação, use o argumento de autoridade sem inventar a frase; no questionamento, toda pergunta que você abre tem que ser respondida ao longo do texto.

Técnica é ferramenta: você escolhe pela proposta, não usa sempre a mesma.

TécnicaComo funcionaAlerta de usoExemplo (mesmo tema)
Alusão / resgate históricoSitua o tema num marco do passadoNão gaste mais de 3-4 linhas"A Constituição de 1988 firmou a saúde como direito de todos (fonte: Constituição Federal de 1988, art. 196), mas o cuidado com a saúde mental dos jovens ainda é recente."
CitaçãoArgumento de autoridade de um pensadorUse só frase que você domina e atribui certo — nunca invente"Um pensador que você conheça e saiba citar corretamente pode abrir o tema — sem inventar a frase nem o autor."
Dados estatísticosAbre com um número real de fonte oficialSempre com a fonte; nunca fabrique o número"Segundo o Ministério da Saúde, [dado real que você confirma], a saúde mental dos jovens virou pauta de saúde pública."
QuestionamentoProvoca o leitor com uma perguntaToda pergunta aberta tem que ser respondida no texto"Até quando a saúde mental dos jovens vai ser tratada como problema individual, e não coletivo?"
ComparaçãoContrapõe dois cenáriosEvite a 'síndrome de vira-lata' (não rebaixe o país sem dado)"Contrapõe o acesso ao cuidado em saúde mental entre regiões ou entre gerações do país."
DefiniçãoDefine o conceito central antes de problematizarNão confunda definição com dicionário genérico"Define o que é saúde mental de forma ampla — não só a ausência de doença — antes de apontar o problema."

Como adaptar a introdução para Medicina?

Quem mira Medicina precisa de introdução com repertório de saúde. Os temas puxam pra essa área com frequência, e uma abertura forte no assunto impressiona o corretor.

Adaptar é simples, é pegar as técnicas que você já viu e trocar o conteúdo pelo eixo da saúde:

  • Dados estatísticos: "segundo o Ministério da Saúde, [dado real que você confirma]".
  • Alusão histórica: a criação do SUS, em 1990.
  • Comparação: contrapor o acesso à saúde entre regiões do país.
E por que isso importa? Porque a redação alta é o que separa quem passa de quem fica na lista de espera: no SISU, a nota decide a vaga, e a redação vale até 1000 pontos. Aqui a gente conecta a introdução ao seu foco em Medicina de propósito.

Só não invente número nem citação, repertório de saúde só vale se for real e de fonte oficial.

Que repertórios usar na introdução?

Aqui você não recebe só "use uma citação", recebe o banco de repertórios pronto pra copiar e adaptar, na própria página.

São referências versáteis, que servem pra vários temas: marcos legais, organismos e documentos oficiais, pensadores que rendem em temas sociais e de saúde, e dados de fontes oficiais que você atualiza na hora da prova. Cada item vem com a fonte, porque repertório sem origem verificável é risco: o corretor percebe citação inventada, e isso pesa contra você.

A ideia é você chegar na prova com um estoque de aberturas na cabeça, em vez de olhar a folha em branco torcendo pra lembrar de alguma coisa.

EixoRepertório versátilFonte
LegalSaúde é direito de todos e dever do EstadoConstituição Federal de 1988, art. 196
LegalCriação do SUS, sistema público e universalLei 8.080/1990
SaúdeDeterminantes sociais da saúde; saúde além da ausência de doençaOrganização Mundial da Saúde (OMS)
SocialObjetivo 3 (Saúde e Bem-Estar) da Agenda 2030ODS da ONU
SocialDados demográficos e sociais atualizados na hora da provaIBGE (fonte que você confirma)

Como conectar as partes da introdução?

O que trava a maioria não é a ideia, é a costura entre uma parte e outra dentro do parágrafo. Então aqui estão as pontes prontas: você encaixa o seu tema no meio e o parágrafo anda.

Da contextualização pra problematização
Ponte"esse cenário, porém, esconde um problema…"
Ponte"só que essa realidade não alcança todo mundo…"
Da problematização pra tese
Ponte"diante disso, é preciso reconhecer que…"
Ponte"por isso, defende-se que…"

Repara que são conectivos de encadeamento natural, não os formais engessados: a introdução tem que soar como argumento, não como fórmula copiada. Com as pontes na mão, a folha em branco deixa de ser o inimigo.

Qual o tamanho ideal da introdução?

Na prática, a introdução fica entre 4 e 6 linhas, o suficiente pra contextualizar, tomar posição e sinalizar os argumentos sem gastar o espaço que os parágrafos de desenvolvimento vão precisar.

Só que essa faixa é orientação, não regra oficial. O ENEM não define um número de linhas só pra introdução: o que ele define é o texto todo. Menos de 7 linhas zera a redação, e a folha oficial tem 30 linhas.

30 linhas, mínimo de 7: o tamanho oficial do texto no ENEM.

Você tem 30 linhas pra distribuir entre a introdução, os dois desenvolvimentos e a conclusão. Uma introdução de 4 a 6 linhas deixa o argumento respirar. Muito longa, ela rouba espaço do desenvolvimento; muito curta, não dá conta das três tarefas.

Que erros derrubam a nota da introdução?

Os erros que mais derrubam a introdução são quatro, e a maioria das pessoas comete sem saber. Anota esses quatro e revê a sua introdução por eles antes de seguir:

Copiar a frase da proposta
Isso não conta como texto seu, e ainda sinaliza pro corretor que você não sabe começar.
Tangenciar o tema
Abrir falando de perto, mas não exatamente do que a proposta pede. É o caminho mais rápido pra despencar na Competência 2.
Escrever em primeira pessoa
"eu acho", "na minha opinião". A redação é dissertativo-argumentativa e pede impessoalidade.
Citação longa demais
Que ofusca o seu texto. O repertório é tempero, não prato principal.

Como a conclusão retoma a introdução?

A introdução e a conclusão são um par: o repertório que você abre lá em cima é o que você retoma no fim. Abriu com um dado da OMS? A conclusão pode fechar retomando esse dado pra reforçar a proposta de intervenção. Abriu com um marco histórico? Amarra o texto voltando a ele.

Isso dá a sensação de texto redondo, planejado. O corretor percebe que você tinha um projeto, não foi escrevendo solto. É por isso que definir o repertório da introdução já pensando na conclusão poupa trabalho: você fecha o ciclo em vez de inventar um final do nada.

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Perguntas frequentes sobre a introdução

Quantas linhas deve ter a introdução da redação?
Não existe número oficial só pra introdução; na prática, a gente usa de 4 a 6 linhas, o bastante pra contextualizar, tomar posição e sinalizar os argumentos. O que o ENEM define é o texto todo: menos de 7 linhas zera a redação e a folha oficial tem 30 linhas (fonte: INEP, folha de redação do ENEM). Como você distribui essas 30 linhas entre introdução, dois desenvolvimentos e conclusão, uma introdução enxuta deixa o argumento respirar.
Posso escrever a introdução em primeira pessoa?
Não. A redação do ENEM é dissertativo-argumentativa e pede impessoalidade, então "eu acho" e "na minha opinião" saem. Você defende a sua tese com argumento e repertório, não com opinião pessoal declarada, a força vem da construção, não do "eu penso que". Escreva na terceira pessoa e deixe os dados e as referências carregarem o seu posicionamento.
Posso inventar uma citação se não lembrar a frase exata?
Melhor não. Citação inventada ou atribuída à pessoa errada é um risco: o corretor pode perceber e isso pesa contra a sua credibilidade. Por isso a gente monta um banco de repertórios com fonte, é mais seguro chegar na prova com poucas referências que você domina de verdade do que arriscar uma frase que talvez nem exista. Repertório sem origem verificável é tiro no próprio pé.
Qual é a melhor técnica para começar a redação?
Não tem uma só "melhor", tem a que encaixa na proposta. Dado estatístico brilha em tema que pede número; alusão histórica funciona quando o tema tem raiz no passado; questionamento provoca o leitor, mas obriga você a responder no texto. Por isso a gente mostra o mesmo tema aberto de várias formas: pra você escolher pela proposta, não por hábito.
A introdução é a parte mais importante da redação?
É a que dá o primeiro tom, mas não carrega o texto sozinha. Ela apresenta a tese e sinaliza os argumentos; quem sustenta a nota é o desenvolvimento, que precisa cumprir o que a introdução prometeu. Uma boa introdução com desenvolvimento fraco não segura, as duas partes trabalham juntas, e a conclusão fecha retomando o que você abriu.

Sobre mim, a educadora da VemMED

Sou a Sabrina Oliveira, a Sassá, educadora especialista em aprendizagem e neurociência da aprovação, e criadora da VemMED, o meu método de estudo pra quem quer medicina pública via ENEM e SISU.

Eu não sou uma ex-aluna de medicina que "passou pelo mesmo": a minha autoridade é dominar o como se estuda. E é isso que eu faço desde 2013, quando comecei a orientar vestibulandos de Medicina. Foi acompanhando esse caminho que eu montei a régua "estudar certo, não estudar muito".

Hoje são mais de 190 mil pessoas me acompanhando no Instagram e mais de 115 mil no TikTok, além de centenas de aprovados em mais de 80 universidades. Se você quer medicina, eu tô na torcida pela sua aprovação.